Do escambo ao pagamento móvel: a história do cartão de crédito

Um dos assuntos que iremos falar bastante nesse blog é sobre meios de pagamentos, principalmente pagamento móveis, que estão revolucionando a maneira de pagar e receber dinheiro. Mas teremos tempo para isso, e como todo bom começo, seria legal explicar como chegamos até aqui. Você conhece a história do cartão de crédito?

Quem lembra de alguma aula de história conhece bem a palavra escambo, e quão antiga é a troca de mercadorias. Mas, quando uma das mercadorias passa a desempenhar a função do dinheiro como referência para essas trocas, é que começa a origem do papel moeda e dos cartões de crédito. Astecas usavam o cacau, escoceses usavam o uísque (brincadeira, eles usavam o prego), noruegueses usavam o bacalhau. Seres humanos foram importantes moedas de trocas na época da escravidão, os soldados americanos aceitavam chiclete como pagamento na 2ª guerra mundial, e todo mundo já ouviu falar da importância do cigarro em qualquer penitenciária.

 

O 1º Papel-moeda surgiu em 1661

Historicamente, porém, o ouro e a prata foram eleitos como os preferidos para representar riqueza. E quando o Banco de Estocolmo precisou emitir um papel-moeda como solução paliativa para compensar a escassez da prata em 1661, surgia a 1ª nota de dinheiro da história. De lá para cá, esse papel moeda foi definitivamente adotado, com o ouro como padrão (lastro-ouro). E apenas no século XX é que as moedas passaram a ser sustentadas na credibilidade, ou seja, na fé de que os governos iriam continuar a existir e aceitar aquele papel-moeda, e as pessoas fariam o mesmo.

 

Da ficção à realidade: o cartão de crédito

Na ficção, a 1ª aparição dos cartões foi em 1887 no romance “Looking Backward”, que conta a história de um homem que adormeceu e acordou 113 anos depois (no ano 2000) e cartões de papelão substituíam o dinheiro. E em 1914 a ficção começa a se tornar realidade: empresas hoteleiras da França, Inglaterra e Alemanha contemplam seus clientes mais fiéis com cartões preferenciais que permitia faturar gastos com hospedagem e alimentação. Mas é a partir da década de 50 é que tudo começa a mudar, com o dinheiro eletrônico. Em 1950, Frank MacNamara, um executivo do mercado financeiro, esqueceu dinheiro e talão de cheque em casa quando saiu para jantar em Nova Iorque. Uma conversa com o dono do local permitiu-lhe assinar uma conta de despesas, que poderia ser paga em outro dia. Ele não só gostou da ideia, mas como junto com o seu advogado Ralph Schneider, criou o Diners Club Card. No seu 1º ano de vida, era aceito em 27 restaurantes e tinha cerca de 200 clientes, na maioria amigos do próprio Frank. Sempre nos EUA (e sempre em Nova York), em 1951 o Franklin National Bank adotou o sistema de creditar a conta do comerciante assim que recebessem os comprovantes assinados pelos clientes, e cobravam uma única conta mensal, acrescida de juros e outros custos (qualquer semelhança com o que perdura até hoje, é mera coincidência).

 

A rivalidade Visa e Mastercard é antiga!

Sete anos mais tarde, em 1958, o Bank of America criou o BankAmericard, com uma inovação: seus portadores poderiam parcelar suas dívidas. O sucesso foi estrondoso e rapidamente tornou-se o mais popular dos EUA. Diversos bancos se juntaram, e em 1977 mudaram o nome para Visa. Conhece essa marca? Em 1966, um grupo de bancos que não aderiu ao BankAmericard, formou o Interbank Card Association (ICA), que passou a se chamar Master Charge logo em seguida, e mais tarde rebatizado de Mastercard. Nascia uma das maiores concorrências mundiais, das bandeiras de cartão de crédito Visa x Mastercard.

 

E no Brasil?

O precursor dos cartões no Brasil foi o empresário tcheco Hanus Tauber, que junto com Horácio Klabin, comprou a franquia da Diners Club e trouxe a bandeira para o país em 1956. Mas o 1º cartão de crédito puramente brasileiro se chamava ELO, e foi lançado pelo Brasdesco. Isso mesmo, você não está louco – estamos falando de 1968! Ele funcionava como um representante local da Visa e atendia turistas estrangeiros portadores de cartões BankAmericard que visitavam o país. Somente em abril de 2011 ele foi relançado, em conjunto com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Esse mundo dá voltas, não é mesmo?

 

Pagamento Móvel

E nesse exato momento, estamos passando por uma revolução tão significativa como aquela da década de 50, com os pagamentos móveis. A massificação dos smartphones permite que novas formas de trocar valores (aquele velho escambo) sejam implementadas – alguns apontam o fim do cartão de crédito, outros dizem apenas que eles irão se adaptar ao novo mundo da tecnologia. O fato é que estamos apenas no começo dessa jornada, e ninguém sabe ainda qual será a nova forma de pagar e receber dinheiro. É como se estivéssemos em 1950, alguns dias após Frank MacNamara ter assinado a conta do restaurante, com a “sutil” diferença de que tudo hoje acontece muito mais rápido que naquela época.

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